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Conhecemos Fred Raph, tatuador da máfia Yakuza, agora na Granja
novembro 3, 2017|#cgentrevistaGranja Viana

Conhecemos Fred Raph, tatuador da máfia Yakuza, agora na Granja

Conhecemos Fred Raph, tatuador da máfia Yakuza, agora na Granja

Tatuagem. Confesso ser um assunto delicado pra mim. Eu não tenho, mas já pensei inúmeras vezes em fazer uma. Ou duas. Ou até mais. Dizem que depois da primeira se torna um vício, né? Ao mesmo tempo tenho medo de me arrepender ao fazer. Ainda não tenho uma opinião formada quanto a envelhecer com elas na pele. Me parece estranho.

Juliana já fez uma. Tudo bem que é de 3 cm, mas fez. Meus sogros estão cheios delas pelo corpo, mas eu e minha cunhada [menor de idade] não passamos por isso (ainda). E só estou falando tudo isso porque conheci um cara que talvez mude essa minha história. Estou falando do tatuador Fred Raph, novo empresário da Granja Viana, que acaba de montar seu estúdio na São Camilo.

Foi com ele que conversamos este mês e resolvemos fazer um Casal Granjeiro Entrevista. Veja como foi nossa conversa.

Era domingo e chovia legal. Estávamos bem molhados depois de encarar o show do Ed Motta no The Square. Essa é a desvantagem de se ter um shopping ao ar livre. O Palmeiras jogaria em alguns minutos e eu até pensei em desistir, mas é claro que Juliana nem deu atenção ao meu comentário. Chegando ao estúdio, em frente ao Koban, fomos recebidos por Fred, sozinho em seu habitat natural. Pleno domingão e lá estava ele, orgulhoso e receptivo. Com uma bela vista em sua janela de fundo, casas e muita mata verde quase que se tornam parte da decoração. “Nem parece SP”, soltou, ao mesmo tempo que batidas do mais puro funk e soul saiam de seu computador.

Na parede, toda preta, com tendências industriais, algumas de suas ilustrações decoram o ambiente. Em outro canto, um sofá também preto, uma grade vazada com vista para o estúdio e recepção e uma geladeira recheada de cervejas geladas para se servir completam o espaço. Acolhedor! E fica fácil quando o proprietário nos faz se sentir em casa, mesmo com poucos minutos de chegada. Fred começou a contar um pouco da sua história intrigante, com passagens bem aventureiras no Japão e um estrelato na Nova Zelândia.

Fred durante sessão em seu estúdio

Mais e ai, quem é você Fred?

Fred – Um artista, de 34 anos, filho de um pai brasileiro e uma mãe japonesa, de família simples. Aprendi a evoluir artisticamente e mentalmente com minhas vivências pelo mundo. Sempre com um faro único quando o assunto é desenho. Desde pequeno estudei ilustrações, como o cartoon e quadrinhos. Cheguei até a dar aulas para crianças menores de 10 anos que queriam aprender a se expressar usando o lápis e o papel. Aos 15 anos me mudei para o Japão, onde passei longos 10 anos estudando a arte e a cultura japonesa, aprendendo a arte de tatuar do modo mais difícil e tradicional, com os mestres mais conceituados do país ao longo do tempo.
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Fala um pouco mais da sua vida no Japão. Como foi?
Fred – O Japão sempre foi um sonho. Creio que para muitos brasileiros também é. Após meus pais passarem por um momento muito difícil financeiramente fomos meio que “obrigados” a ir para lá. Não tínhamos escolha, pois estávamos literalmente no fundo do poço. Depois de algum tempo conseguimos nos reerguer e voltamos a conquistar nosso patrimônio de volta. Lá consegui abrir meu primeiro estúdio, em 2006, na cidade de Nagano, onde desenvolvi a técnica do realismo no papel, airbrush, black and grey e o tradicional japonês.
Sem dúvida ser tatuador no Japão foi a parte mais difícil, até porque para ser um tatuador lá é preciso pedir permissão para a máfia Yakuza (grupo de organização criminosa transnacional originários do Japão), onde tive que passar por situações bem difíceis e até mesmo perigosas em troca do aprofundamento na cultura e na arte.
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Como foi vivenciar em uma máfia japonesa como a Yakuza?
Fred – Nos 3 anos que passei dentro da Yakuza, de 2007 a 2009, fiz de tudo. Sem folga durante o ano todo, tendo apenas os dias 1 e 2 de janeiro livres. Além de tatuador oficial da máfia, dentro da minha facção tive que cuidar de gangues de Bosozoku (motoqueiros), vender sake em festivais de rua e até buscar carros roubados. Após ser jurado de morte por descobrirem que eu estava namorando uma japonesa, tudo piorou. Depois de muitas brigas consegui me desvincular, deixando para trás todos meus bens, como loja, carros, moto, maquinários e meu dinheiro guardado. Para vocês entenderem melhor, dentro da máfia japonesa eu era o ‘fazedor de dinheiro’, onde estava 100% focado nos negócios. Para eles, uma vez que você começa a namorar, seu foco que era 100% nos negócios começa a ser de 50%, já que os outros 50% é na mulher. Resumindo: mulher na minha vida naquele momento era perda de dinheiro e/ou problema para eles e com eles.
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E quando você saiu do Japão, para onde foi?
Fred – Fui para Nova Zelândia, país onde minha irmã morava e onde consegui me reestruturar novamente. Onde fiz muitas amizades e recomendo a todos a conhecerem.
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Você contou que ficou bem conhecido lá na Nova Zelândia. Como é que isso aconteceu?
Fred – Sim. Tive o prazer e a sorte de meu primeiro cliente na Nova Zelândia ser o rapper mais famoso do país, o Young Sid ou Sidney Diamond como é conhecido pelo grupo Smashproof. Foi a porta de entrada para a minha carreira como artista na Nova Zelândia, porque com ele, consegui chegar em vários outros artistas e ser reconhecido no país, onde tenho muitos amigos e clientes.
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E o Brasil? Quando é que uma possível volta começou a pesar para você?
Fred – Quando percebi que já fazia 10 anos que não via minha mãe e minha vó, também já velhinha aqui no Brasil. Como já estava no meio do caminho (NZ), resolvi vir visitar e relembrar o Carnaval entre outras festas do país.
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Após voltar ao Brasil, quem se tornou? O que faz aqui?
Fred – No Brasil sou um tatuador reconhecido por parcerias importantes, tanto com marcas de roupas (SUMEMO e MCD) como por artistas. Também pela arte do preto e cinza, no estilos mais religioso, estátuas, retratos e cultura latina. Também faço telas e desenhos para algumas marcas. Tenho um estúdio na Bela Vista, no centro de São Paulo, onde atendo com privacidade e a melhor qualidade possível para o cliente. Mais no momento estou focado apenas na tatuagem e no meu novo estúdio.
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Por que escolheu a Granja Viana para montar seu segundo estúdio?
Fred – Além de estar sempre pela região, já que minha namorada mora aqui, sempre gostei desse clima e da paz que se tem aqui. É algo difícil de encontrar no centro de São Paulo.
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O que esperar do Fred Raph em 2018?
Fred – Essa é fácil (risos). Qualidade! Tudo aquilo que eu já faço, mas com muito mais qualidade. Seja em tatuagem, atendimento, produtos, eventos e tudo o que o pessoal da Granja Viana sempre precisou antes e não tinham acesso.
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São histórias como essa que fazem de nós, personagens do dia a dia. Fred não é o primeiro e nem será o último que irá nos surpreender na Granja Viana. Conhece alguém com uma história legal que seria legal divulgarmos aqui no Casal Granjeiro? Escreva para gente.

Para conhecer mais do trabalho de Fred Raph, siga o Instagram dele: https://www.instagram.com/fred_raph/

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Júlio Frutuoso

Digo ser comunicador, afinal, o que é um jornalista senão isso? Também sou apaixonado por muitas outras coisas, como gastronomia, fotografia, e também pelo Palmeiras. Dedicado? Somente a Sra. Juliana Frutuoso.

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